Quarta-feira (02/12/2009) chegando ao Ciep Operário Vicente Mariano para o labor diário da educação na comunidade da Maré às 07:00 de uma manhã que com certeza será inesquecível para um arte/educador da própria comunidade. Quase tive um infarto! Exageraaaaaaaaaaaaaaaaaaado!
Os belos painéis realizados com alunos da escola pela mãe amiga Geracina Ciqueira e pela saudosa professora da escola Márcia Rapozo jaziam sob um cal/tinta branco (a) sepulcral. Lamentável!
Após um episódio pontual de pichação na escola, coisa raríssima de se ver, pelo menos nos nove anos que estou lá, mas que hoje infelizmente tá virando moda; a sensível mãe amiga Gera promoveu com o respaldo da direção uma reflexão entre os alunos envolvidos na depredação do patrimônio público que resultou no belíssimo painel que retratava um dos orgulhos de ser brasileiro, o Rio de Janeiro.
No Hall de entrada da escola, linda e grandiosa, uma solene bandeira do Brasil também realizada com alunos pela professora Márcia Motta dava boas vindas diárias à comunidade escolar e a todos os visitantes.
Hoje pelo menos temos belas imagens em vídeos e fotos do “Amar é Dança” e outros projetos da escola onde os painéis foram eternizados como cenários de uma escola, que longe de ser perfeita, conseguia funcionar com dignidade apesar dos pesares, do descaso das autoridades e de todas as problemáticas da educação no nosso país que não são novidade para ninguém.
Questionando a insensível atitude de atentarem de forma impensada contra a arte, e principalmente contra a identidade da escola e sua memória cultural; ouvi defesas semânticas de que mudanças devem ser realizadas sempre no espaço escolar.
Não pude deixar minha mente delirante de arte/educador não imaginar Bento XVI assumindo o papado no vaticano e mandando jogar uma tinta branca nos afrescos de Michelangelo na Capela Sistina e pedindo a Romero Brito, nada contra a vanguardista arte contemporânea de Romero, para promover os ares da mudança em Roma. Valha-me Deus!
Ora convenhamos! Não estou aqui para defender gestões anteriores e seus “erros” administrativos que resultaram na exoneração da antiga diretora; uma educadora “linha dura”, como era conhecida, que já faz parte da história educacional da comunidade; doa a quem doer. E tenho certeza que ela não faz parte da história da comunidade por dar na surdina; como é de praxe em "off" na rede em algumas gestões escolares, o gostozinho dia de descanso mensal almejado e sonhado por alguns "educadores" que a execrava por sua postura militar que se recusava a fazer isso. E muito menos estou aqui para criticar a atual direção a qual ofereço meu apoio incondicional frente as urgências sócio-culturais e educacionais da Maré e de nossa counidade escolar. Até por que não combina comigo e com minha inserção profisional na comunidade essa postura partidária desprezível que tantos atrasos já promoveu na afirmação da identidade e da cidadania da Maré. Minha reflexão aqui é de outra índole!
Olhar-me-ão de cara torta alguns “educadores” do Operário e da comunidade por falar sobre isso? Estou pouco me importando. Enquanto os alunos de quem sempre mereci e mereço respeito continuarem sorrindo e estimulando meu fazer educacional seguirei promovendo a afirmação da identidade e da cidadania através da Educação na Maré e o resto é o resto. E não será o olhar torto de educadores que nada promovem; que se escondem atrás de denúncias anônimas sem coragem de dar a cara para bater que me intimidará nessas alturas da urgência educacional de nossa sociedade e convulsão.
O Ciep Operário Vicente Mariano realmente precisava e precisa de muitas mudanças e esse “sensível” educador que vos escreve sempre foi um dos questionadores da necessidade de modernização da postura da gestão anterior, mas, é claro, que atrelada à disciplina organizacional que virou lenda e referência não só na Maré como em toda a Rede Pública do Município do rio de Janeiro.
Não é pintando paredes e muito menos apagando a história cultural da Escola que essa mudança efetiva se processará. Até mesmo por que a mudança já é visível para qualquer bom entendedor na postura das crianças que nem de longe respeitam mais o espaço escolar como respeitavam. Era através do medo que se conseguia esse respeito? Pode até ser. Chamem Vygotsky e Wallon para filosofar sobre as implicações educacionais disso. Eu prefiro Eurípedes Barsanulfo! Por que para nós que estamos nas salas de aulas superlotadas há muito tempo; é conveniente lembrar; a diferença é gritante e a urgência educacional maior ainda.
Não é pintando paredes e muito menos apagando a história cultural da Escola que essa mudança efetiva se processará. Até mesmo por que a mudança já é visível para qualquer bom entendedor na postura das crianças que nem de longe respeitam mais o espaço escolar como respeitavam. Era através do medo que se conseguia esse respeito? Pode até ser. Chamem Vygotsky e Wallon para filosofar sobre as implicações educacionais disso. Eu prefiro Eurípedes Barsanulfo! Por que para nós que estamos nas salas de aulas superlotadas há muito tempo; é conveniente lembrar; a diferença é gritante e a urgência educacional maior ainda.
Na prática as teorias muitas vezes de nada servem!
A comunidade escolar precisa de nossas forças unidas ética e moralmente comprometidas com o fazer educacional e não com “ismos” e “achismos”. A Maré agradece a nossa coerência educacional. Se for possível!
Deixo aqui o registro desses belíssimos trabalhos que foram realizados na nossa unidade escolar antes da "mudança" que está resultando na descaracterização da memória educacional coletiva ; pois por mais incrível que possa parecer aos menos antenados; ali naquela unidade escolar aconteciam coisas significativas e muito. Só assim a história não se perderá em sucessivas atitudes impensadas!
Ah! E antes que seja esquecido também! Parabéns à aluna Milena da 1901 aprovada no Santo Ignácio e Jonatha Caroba também da 1901 aprovado para o NAVE. Pelo visto algo funcionou pedagogicamente nos 8 anos de vida escolar desses jovens no Ciep Operário Vicente Mariano.
E a vida continua!
E a vida continua!
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