Minha enriquecedora experiência com a Mostra de Dança da Rede Municipal de Ensino na sua versão regional (4ª CRE) nos últimos cinco anos me leva a variadas reflexões, tanto no que se refere às práticas político-pedagógicas que tenho observado darem o tom dos resultados alcançados nas diferentes experiências apresentadas, quanto nas práticas organizacionais do evento que nos últimos anos têm estado em voga para desespero dos educadores e educandos envolvidos nesse processo árduo de afirmação da cidadania e da identidade na zona leopoldina e adjacências atendidas pela referida CRE.
É importante destacar que minhas observações, reflexões e acenos se fundamentam na minha trajetória artística e na minha experiência de 25 anos como profissional de dança onde tive a oportunidade de merecer prêmios nacionais e internacionais, tanto como solista bailarino do grupo Dança da UFRJ, quanto como artista independente Performer Coreógrafo Bailarino que no ano de 1998 inicia um trabalho de afirmação da identidade e da cidadania na Maré - comunidade onde nasci; cresci e criei laços afetivos, que hoje fundamentam e dignificam o meu fazer educacional.
Trabalho este pioneiro na comunidade; onde a Dança aparece como complementação pedagógica na formação do ator social; e que foi a base e estruturação para o que hoje é do conhecimento dos educadores, principalmente os que atuam Há mais de 10 anos na Maré; como as oficinas de dança do projeto Programa de Crianças da Petrobras.
Não me perguntem sobre os rumos filosóficos que lideranças políticas deram às propostas sócio-culturais e artísticas que propus ou ajudei a dinamizar na comunidade como o “Amar é Cultural” e as Oficinas de Expressão Corporal do Programa de Crianças da Petrobras e muitos menos sobre seus objetivos atuais; já que há 9 anos atrás ingressei na Rede Municipal de Ensino na gestão do então prefeito César Maia e desde lá tenho me dedicado a repensar minha inserção sócio-educacional na Maré através do projeto “Maré – Um corpo em movimento exercitando a cidadania”,que desenvolvo de maneira voluntária, pelo menos até agora, no Ciep Operário Vicente Mariano e cujos resultados da experiência tenho compartilhado com os demais profissionais da rede que trabalham com dança em suas unidades escolares justamente nas Mostras Regionais organizadas pela 4ª CRE.
Em 2005 quando da primeira participação na Mostra no Teatro do Colégio Capitão Lemos Cunha com a coreografia “Traficando Cultura” que deu início às sempre discutidas e comentadas intervenções do Ciep Operário Vicente Mariano comecei a atentar para o direcionamento dado pela organização do evento à questão principal que no meu ver fundamenta ou deveria fundamentar o processo – a formação consciente de platéia a partir, tanto da experiência vivida com a Dança, quanto da experiência vivida naquela troca de experiências.
Naquele então o Ciep Operário Vicente Mariano era uma das escolas mais POPs da Rede, já que seu emocionante e cativante coral de crianças sob a coordenação em “OFF” da competentíssima e talentosa mãe amiga Geracina Siqueira roubava a cena nos eventos promovidos pela SME e à convite de emissoras de TV e outras instituições encantadas com os jovens cantores da Maré e o que deveria ser um orgulho para as unidades escolares da 4ª CRE acabava, devido às práticas equivocadas e posturas descomprometidas com o fazer educacional em sua essência, sendo um motivo de invejas e exclusão.
Não me peçam para ser político nessa hora, pois desse tipo de política nada entendo e não faço questão de entender e nem pretendo. Dessa política que Martin Luther King bem lembrou: “A política pergunta: É conveniente?”; eu estou fora. Prefiro me apoiar e me inspirar na sua reflexão final “A consciência pergunta: É correto?”. É com outro tipo de política que me preocupo e que fundamento minhas ações e intervenções no processo educacional de nossas crianças e adolescentes.
Torciam o nariz sim para nossa unidade escolar. Primeiro os fariseus da educação que circulavam e ainda circulam pelos corredores e cabinetes como vampiros minando a esperança e a energia de muitos que trabalham com dignidade e ética por uma transformação social digna e justa no nosso país através da educação com suas práticas mesquinhas e clientelistas. Segundo os pseudo e fracos educadores incapazes de entender a educação como um processo coletivo digno e justo que favorecidos por essas práticas anteriormente citadas viam suas situações ameaçadas, sempre que uma iniciativa pertinente e condizente com a afirmação ética e cidadã da identidade e da cidadania na 4ª CRE era produzida; e poderia ter alguma visibilidade eclipsando, nas suas visões individualistas do processo educacional, suas propostas passíveis de questionamentos e sugestões visando à soma, como todas deveriam ser em um processo educacional coerente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário. Ele é imprescindível para a dinamização desse espaço. Grato pela sua visita!