sexta-feira, 28 de agosto de 2009

ALERTA DE TSUNAMI NA MARÉ - PARTE I

Viver é difícil. É preciso resistir. E é preciso, também, ter luz e força: saber o que fazer e ser capaz de o fazer. E nós, que às vezes nos juntamos e falamos das fraquezas dos outros, temos estado também em situações que nos pediam algo de valentia, dignidade, coerência com o que pensamos. E nem sempre fomos capazes de fazer o que devíamos ter feito.
(Paulo Geraldo)

No dia 17 de agosto, após as férias prorrogadas pelo surto da gripe suína; que acabaram “caindo como uma luva” para os mais de 2000 cidadãos que diariamente dinamizam a vida escolar no Ciep Operário Vicente Mariano processarem a nova “ordem”, já que a transição política na administração da prefeitura trouxe mudanças radicais sem planejamento na direção da unidade escolar vindas de hierarquias superiores ávidas de mostrar “serviço” às vésperas de ano eleitoral na “provinciana” Terra Brasilis.

Acreditando na mudança, que é pertinente à natureza humana e a impulsiona à evolução, retornei à unidade escolar apostando no “novo” proposto pelas novas administrações públicas para a Educação no nosso município.

E mesmo questionando a forma equivocada como esse processo de transição/intervenção na escola se efetuou; apoderei-me do mais divino em mim - minha dignidade e meu compromisso com a ética e a moral, para trabalhar pelo Bem Comum.  Aqui no caso, o funcionamento digno e cidadão da unidade escolar onde leciono na comunidade onde nasci; a Maré.

Não foi preciso nem entrar na unidade escolar para perceber que o “novo” oferecido era a velha prática partidária do “agora quem manda aqui é agente”, cujos objetivos nem de longe visam os interesses da população; e a mudança já mostrava sinais de retrocesso na postura participativa da comunidade que no ciclo administrativo anterior muitos avanços já tinha alcançado na relação com a mesma e na solução de problemáticas que impediam o andamento normal das atividades, mas que superadas pelos interessados ( Direção, professores, pais, alunos e comunidade em conjunto) permitiam o funcionamento digno e “organizado” da unidade. A citar: Falta de pessoal administrativo, falta de professores ( a maioria aqui nessa unidade escolar é dois, já que a Secretaria de Educação vergonhosamente institui como cidadã e normal a prática da exploração da necessidade social do educador induzindo-o a assumir a vaga que deveria ser preenchida por um educador desempregado que já aprovado em concurso público engorda as estatísticas do desemprego no país sendo ignorado.) e a falta de segurança endêmica nas áreas de risco.
Uma semana de intervenção, já que até agora não foi publicado em diário oficial quem responde pela direção da escola, foi suficiente para perceber que a tresloucada ação movida pelas hierarquias superiores, sabe Deus por que razões; foi um tiro no próprio pé.
 
Entraram na “nossa” casa. Recusaram-se a nos ouvir. Colocaram fogo e agora querem que nós os educadores apaguemos o fogo.

Lamento informar que eu e muitos colegas nos queimamos no incêndio. Princípios de incêndios eram apagados diariamente por todos nessa realidade escolar surreal, mas nenhum como esse atentado contra a Educação. O fogo se alastrou rapidamente e no meu caso ficou difícil continuar a luta contra o fogo sem antes reparar as queimaduras sofridas.

Sendo claro: Não agüentei a violência da violência e estou me recuperando do choque emocional para reconstruir tudo outra vez.

Mas está tudo bem e sob controle como estava a gripe suína no início da epidemia que hoje nos coloca no lamentável primeiro lugar em mortes no mundo, e a Secretaria de Educação com certeza está planejando e preparando seus técnicos em educação para apagar esse incêndio.

Meu medo é que ele se alastre pelas casas educacionais vizinhas que tem muito material inflamável e a Lei de Causa e Efeito que rege as ações e movimentos da vida mostre sua coerência gerando um tisunami de indignação e insatisfação no nada tranqüilo mar da Maré. Deus escrevendo certo por linhas tortas. Amém!

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