O brasileiro Paulo Lins, que em 2003 foi capaz de voltar os olhos do mundo para a miséria e a a violência das favelas do Rio de Janeiro com seu livro "Cidade de Deus", acha que as dezenas de mortes provocadas na semana passada com a ofensiva policial em favelas eram evitáveis.
"Não era necessário matar 37 pessoas. E dói muito dizer isso, mas morreram poucos. A polícia brasileira tem o hábito, a vocação, de matar gente pobre. Ela faz isso há muitos anos, sobretudo negros", disse o escritor em entrevista à AFP na Feira do Livro de Guadalajara (oeste do México). O brasileiro foi convidado pela Feira, a mais importante de língua espanhola, para duas atividades que acontecem nesta quinta-feira, uma delas uma conversa com seu amigo e cineasta mexicano Guillermo Arriaga (roteirista de "Babel" e "21 gramas "). A outra é uma palestra sobre suas experiências de vida nas favelas do Rio, onde nasceu e passou mais de 30 anos de sua vida.